terça-feira, setembro 15, 2009

O verdadeiro Serviço Público

Ao serviço da Política
Por Paulo Duarte

Ontem a RTP deu oportunidade aos partidos minoritários de se expressarem e darem a conhecer as suas propostas políticas num debate, revelando, com isto, uma séria responsabilidade social e dando uso correcto ao seu título de serviço público.

No seu conteúdo, os representantes destes partidos falaram principalmente da segurança nacional, da justiça e sobretudo do nacionalismo e valores familiares. Supreendeu-me o facto de todos eles terem apresentado propostas concretas perante as problemáticas actuais que comentavam. A questão da emigração foi a que causou mais extremismo, nomeadamente por parte do PNR, sendo para este partido (e no geral para a extrema direita) a causa maior do mau estar e da insegurança nacional.

Em relação à Segurança Social, concretamente os subsídios, foi também um lugar comum muito debatido. Fiquei de acordo com a reformulação do subsídio de desemprego, de ser unicamente concedido em casos muito específicos e periodicamente. Muitas vezes o trabalho oferecido não é aceite por estes que vivem com subsídio mínimo.

Este debate público, dos partidos marginais, gera novos pensamentos sobre a problemática da hegemonia política e desenvolve mais sentido social nos portugueses. Talvez seja uma forma de renovação da classe política, que é uma emergente necessidade no ambiente social português.

quarta-feira, julho 22, 2009

A-B-A-C-A-B-B

Por Paulo Duarte

Este era o código que dava acesso a todos os níveis do Sonic para a Mega Drive (genesis nos EUA). Ainda hoje me recordo e sou capaz de fazer o gesto automaticamente.

Nesta altura os códigos, para além de serem uma forma de gravação do jogo, eram um culto. Saber o código e pô-lo em prática era uma arte. As bíblias de truques e dicas foram os livros mais valiosos de qualquer viciado. E os poucos que tinham acesso à internet, faziam inveja mostrando imagens e revelando informações recentes.

Era a altura do Dragon Ball, das aventuras da Lara Croft e da internet a 50Kbs por segundo.



"We make Games That we want to play" Valve

Os videojogos eram desenvolvidos com paixão e a pensar principalmente na diversão. Actualmente a indústria cresceu e os jogadores também. Contudo a paixão dos criadores desvaneceu-se na necessidade de lucrar. A maioria dos jogos são descartáveis, não criam nenhum apego no utilizador. Os custos envolvidos no desenvolvimento de um videojogo são de tal forma abismais que será muito difícil para uma pequena empresa conquistar um lugar. Talvez surjam novos conceitos nos novos meios, como a web (webgames), que revolucionem e tragam de novo a old passion.

Todavia, este é o pensamento que teimo em ter. Porque a verdade é que a magia é sempre maior quanto mais jovens somos. Todos os jogadores da minha geração cresceram a jogar videojogos. É-nos tão habitual que somos nós os melhores críticos dos mesmos. Crescemos, tornamo-nos maduros, e os criadores, a pensar nisto, também mudaram os videojogos.

Os videojogos sempre fizeram parte do meu dia-a-dia. Recordo os jogos antigos com prazer e com um certo saudosismo. Hoje troco os códigos pelo vício dos jogos online. Agora o que conta é ser o melhor entre os melhores, porém, para isto, é necessário videojogos que divirtam
e sejam feitos por quem, no final, também os queira jogar.

quinta-feira, julho 16, 2009

"BRUNA"

Atualmente as produtoras de cinema têm apostado em conteúdos que jamais passariam nas salas há 20 ou 30 anos. Denota-se claramente que a esfera privada tem vindo a ganhar relevância nas Indústrias Culturais. Os vídeos a simular o home made (caseiro), a violência extrema, que só tinha lugar nas mentes mais perversas, a nudez corporal e, claro está, a pornografia, que emerge exponencialmente no espaço público.



Bruno é um filme/documentário de um estilista que viaja pelo mundo à procura de sucesso. A base é simples, o sexo. Não é um filme para entreter (embora pareça) mas sim uma crítica mordaz, com um requinte mórbido à mistura. Temas como a moda, o mediatismo, e a futilidade são abordados sempre com sexo na amálgama. Todo o filme retrata também a geração youtube, a geração que tudo tem instantaneamente, que necessita de doses “vastas e instantâneas” de consumo.

Sendo estes excessos permitidos, o filme torna-se uma marca no cinema, um símbolo da mudança anunciada. Houve realmente filmes de outras épocas física e psicologicamente violentos, como o 120 Dias de Sodoma, de P. Pasolini, e Funny Games, um filme mais recente, entre outros. Contudo Bruno explora o publicamente inconcebivel, como exemplo, explora a pornografia e a homofobia como meras futilidades, onde na realidade são temas evitados e descriminados.

Bruno é um ícone do cinema em mudança, aliás, da sociedade em mudança e em alta velocidade. E a pornografia e o extremismo? São sintomas democráticos, da quebra dos tabus.

sábado, junho 27, 2009

RELATIVIDADE DO BEM E DO MAL

Vamos por a hipótese que existe uma civilização que sabe da existência de Deus, o criador. Num determinado espaço-tempo, esta civilização descobre que Deus está descontente com a criação do Universo e goza de planos para destrui-lo. Perante este facto, a civilização mata Deus e sobrevive.

É interessante reparar que, considerando que o bem prevalece sobre o mal, neste caso hipotético, Deus foi morto para o bem da sobrevivência da civilização. Mas, sendo Deus o senhor criador do bem e do mal, não seria um bem para a razão da existência a destruição do Universo porque Deus estava descontente?

Vendo esta situação ao contrário, veríamos que Deus faria de tudo para que a civilização, imbuída do e pelo mal, não destruísse o Universo. Repara-se que o hipotético mal é concretizado por ambos devido a básicas motivações.

Por fim, chegamos à conclusão que Deus não pode morrer porque o bem tem que prevalecer. Mas não será um bem para esta civilização a morte de Deus?

terça-feira, junho 09, 2009

ELEIÇÕES À DIREITA NA EUROPA


Sinto uma certa preocupação com os últimos resultados das europeias. A direita dominou um pouco por toda a Europa. Em certos casos nos seus extremos, como a Holanda e a Áustria, com partidos como o PVV de Geert Wilders, nacionalista e islamofóbico, que conseguiu 17% e 4 deputados, e o partido nazi de Jubbuk, que conseguiu eleger 3 deputados, respectivamente. Outros casos se revelaram inquietantes, serão eleitos 2 deputados na extrema-direita romena, enquanto os ultranacionalistas e anticiganos eslovacos deverão eleger 1 deputado.

Isto revela que os europeus estão preocupados principalmente com as questões da emigração e, por conseguinte, da segurança privada e também profissional. Não é recente mas põe em causa os cânones da globalização, tão impostos pela União Europeia.

Em Portugal a direita ganhou, porém, a esquerda junta, vai eleger mais deputados. Os dados não são enganadores, o Bloco de Esquerda foi o partido que saiu vencedor porque conseguiu mais do que esperava, eleger 3 deputados e estar à frente da CDU e CDS-PP. Os extremos ficaram-se com a eleição de 2 deputados cada.

Como é hábito, a abstenção predominou. Foi acima dos 50%. São outros dados que se podem explicar por duas vertentes: ou porque revelam um mau estar na opinião dos eleitores perante a governação nos seus respectivos países, ou então por revelarem uma fraca e infundamentada opinião sobre assuntos governamentais; esta última vertente é na minha opinião a mais certa, aliás explicada pelas opiniões populistas sobre as questões da emigração, reflectidas sobretudo nos resultados positivos dos partidos da extrema-direita um pouco por toda a Europa.

sexta-feira, maio 15, 2009

PARANOID PARK (SANT)


Sabemos que por detrás de um filme há sempre um orçamento e um público a atingir. Gus Van Sant sabe-o e, nos seus habituais filmes, repara-se que há uma fuga constante do puro entretenimento. A sua imagética alerta-nos para filmes que não bebem a questão meramente comercial, com a qual a maioria dos produtos cinematográficos se relaciona.

Repara-se também que os valores que Paranoid Park tenta defender são direcionados para um público mais crítico, mais conhecedor e atento. Por sua vez, os críticos de cinema tentaram avaliar este filme com outros olhos, e criticaram-no muito positivamente. Creio, porém, que quantos mais planos alongados e monótonos, tanto mais avaliação positiva se dão aos filmes. Talvez legitime a sabedoria do crítico…

Os planos frontais a seguir o caminhar do protagonista é uma constante e prolongam-se até à exaustão. Julgo que neste filme as partes que G. V. Sant decidiu cortar foram as mais importantes, dando relevo às partes que um habitual realizador cortaria, como o caminhar de 2 minutos de uma sala à outra. Com pouco interesse, realmente. A narrativa é pouco complexa, muito linear e parece-me que existe para suportar a estética, unicamente. Posso tentar entender a existência deste produto cinematográfico tendo em vista a questão da reflexão dos espaços vazios urbanos. Talvez funcionasse melhor se o caminho fosse esse.

domingo, maio 03, 2009

PLANETA ESQUECIDO

Quando a indiferença traz a redundância

Planeta Esquecido, curta-metragem que é uma dissertação sobre a problemática comunicativa que os media proporcionam - a redundância. Será culpa de quem gere a informação ou é culpa da expectativa do espectador? É uma pergunta à qual é difícil de responder.



No segundo aniversário da partida da tripulação para o planeta Alba, o jornal NCI transmite um especial sobre a viagem e sobre a possível descoberta de vida inteligente. Na sua rotina, os espectadores estão indiferentes tanto ao tema como aos argumentos excêntricos do convidado Prof. José Aufhosen, que instalam a confusão na transmissão em directo.

Planeta Esquecido, última curta-metragem feita pelo mesmo grupo da Fracção Autónoma 16, passou no dia 7 de Maio no programa E2 (Escola S. de Comunicação Social), na RTP2.

Para ver: http://www.e2.ipl.pt/e2online/programa163.php#2