quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Portugal em estatísticas

Já faz algum tempo que não escrevo para o blogue. Isto deve-se ao facto de não estar disponível, pois trabalhar e estudar ao mesmo tempo ocupam-me o tempo todo. No entanto, vou tentar nos próximos tempos revelar alguns projectos e artigos nos quais estou envolvido, como trabalhos de 3D e realidade virtual e artigos sobre a respectiva área. Hoje apenas falo de uns dados estatísticos que achei interessantes. 

Um país sem estatísticas é um país que não se conhece
Por Paulo Duarte

Ontem o jornal i publicou os números mais recentes que revelam dados interessantes sobre quem somos enquanto portugueses. Há mais óbitos que nascimentos - 233 e 226 por dia, respectivamente - os homens recebem, em média, mais que as mulheres - 1112,4 e 871,6, respectivamente - e os espectadores de cinema são menos em 2008 que no ano antecedente - 24,8 e 29,9 espectadores por sessão, também respectivamente.

Estes são alguns dados entre muitos que achei interessantes de comentar tendo em conta o contexto do blogue. Os dados reflectem, e de certo modo legitimam, que a população portuguesa está a acompanhar a tendência europeia - a população está a ficar mais envelhecida, as mulheres continuam ainda a ter dificuldades de se afirmar em termos laborais, e que a população está mais desinteressada na ida ao cinema.

Em relação ao cinema, a internet é a grande culpada, pois os consumidores têm mais facilidade e comodismo em ver conteúdos culturais em casa e sem ter que pagar por isso. Há dois paralelismos que podem ser feitos,  1) a Blockbuster, o maior e prolífero video-clube de Portugal, deu falência; e 2) o filme Avatar, que apesar de ter uma narrativa insípida e mais que explorada, apostou na tecnologia 3D para que o consumidor só a possa experenciar no cinema. Será esta tecnologia a salvação do cinema e será que as políticas anti-pirataria sejam eficazes e, até, saudáveis para as Indústrias Culturais?

De referir que estes dados foram lançados no site http://www.pordata.pt/ , de responsabilidade de António Barreto. Apenas com um simples clique temos possibilidade de aceder à maior base de dados sobre Portugal contemporâneo.

segunda-feira, outubro 19, 2009

A queda do Rei

Fifa 10 desmarca-se e marca golo

Por Paulo Duarte


O Rei morreu. Havia de chegar este momento, para minha desilusão. Ao longo destes últimos anos Pro Evolution Soccer tem vindo a ser o mesmo jogo quadradão e previsível. É sem dúvida um grande jogo mas de outra época.


No ano passado Fifa 09 soltou-se do estilo arcade e este ano, a versão 10, tornou-se realmente a verdadeira alternativa. É rápido e suave; os jogadores movimentam-se ao longo dos seus 360 graus, uma novidade no género.

PES tem vindo a manter-se na mesma divisão porque tem apostado naquilo que antes fazia o seu rival não subir, ou seja, tudo o que não é jogabilidade – menus, gráficos e direitos. Chega-se à conclusão que a jogabilidade estancou. Fifa 10 é o simulador de futebol mais realista da actualidade - o videojogo que nos faz acreditar estar no relvado a disputar a bola.

É uma ilusão continuar a esperar mais de um jogo que não mudou nada desde 2006. Uma saga que em 1998, com o lançamento de ISS Pro 98, o primeiro, me fez sonhar e gostar ainda mais de videojogos. Contudo julgo que actualmente a equipa de desenvolvimento do PES se reduziu para uns quantos designers de interface... Este ano a Konami não vai conseguir enganar os seus fãs, este ano vamos todos jogar Fifa por prazer e não por revolta.

terça-feira, outubro 13, 2009

De Hollywood a District 9

Os alienígenas com amarras bem apertadas
Por Paulo Duarte

District 9 parece um filme promissor. Os seus responsáveis deixaram o projecto do filme do videojogo Halo para apostarem neste mais independente. Começa com os comentários das pessoas que vivem num mundo onde os extraterrestres são uma realidade. É neste cenário que se pretende criar uma metáfora da natureza do homem e do outro, do que vem de fora.

District 9 é um filme em grande, muito ambicioso. Não parece que decidiram negar Hollywood e tentar um produto independente (parece estúpido mas nem a escolha da cidade de Joanesburgo em detrimento da habitual escolha de cidades americanas encobre este pormenor).

Este filme, porém, divide-se em dois estados: o primeiro é o início, a primeira parte do filme, aquele que nos foi vendido. Um filme independente e que não está amarrado à moral. O segundo, é um seguimento diferente, onde surge uma narrativa clássica, onde a personagem que está no centro da dramática se torna um herói e salva aqueles que para o público têm que ser salvos. Não era um filme de salvação e de esperança gratuita que estava à espera. Era sim um filme que dissertava sobre um tema e que o explorava.

O tema da xenofobia decalcado no distrito 9, através do impacto de civilizações, tinha tudo para nos fazer reflectir e ser também um bom produto cinematográfico. Contudo perde-se no heroismo moralista. Só faltava a bandeira americana para complementar o cenário. Na verdade o actor principal deveria ter sido o Stallone, pois assim saberiamos logo à partida que iriamos ver um filme convencional.

Questiona-se o cinema quando este na realidade o pretende ser. O classicismo cinematográfico é ainda cinema? A junção da impressão de documentário com as premissas aristotélicas da narrativa transformam esta experiência, mudam e questionam os cânones. Sabe-se já que o cinema não é uma ciência exacta, é uma arte que tem que reflectir a vida e naturalmente seguir contextos. District 9 é isto mas é também um filme independente com amarras bem apertadas...

segunda-feira, setembro 28, 2009

A Maioria Relativa - Legislativas 09

Por (1) Paulo Duarte e (2) Inês Ramalhete

(1) Portas recompensado, Sócrates fragilizado e Ferreira Leite derrotada

O PS ganhou e tinha que ganhar. Está patente em todos os fóruns e espaços públicos das rádios que o povo acordou hoje com uma forte ressaca, como Louçã premeditara. O povo não acordou ressacado pelo facto de o PS ter ganho mas sim porque não havia outra alternativa possível. E é também por isto que a maioria absoluta não foi alcançada. A justificação é simples, o povo, revoltado com a hegemonia política, com as falsas políticas e, principalmente, com a falta de alternativa, decidiu votar noutro partido mas expectante, pois só o PS poderia sair vencedor.


O CDS sai como grande vencedor, conseguiu mais de 500 mil votos e conseguirá, com certeza, ter mais importância nas decisões políticas. Os restantes, o BE e o CDU, também conseguiram mais votos; é de notar que, se a abstenção não fosse tão prenunciada, estes partidos teriam ainda mais votos. Acredito que uma considerável percentagem das pessoas que se absterão do seu direito ao voto foi por revolta e desgosto pelas personalidades que constituem o actual sistema político.

Dos partidos minoritários surgiu uma surpresa, o MRPP, de Garcia Pereira, que conseguiu mais de 50 mil votos e, com isto, garantiu apoio financeiro do estado. Um passo importante para a principal aspiração do partido - garantir um deputado na Assembleia.

No final todos ficaram bem e de saúde, menos, claro está, o PSD, que saiu como maior derrotado - não conseguiu arrecadar o PS. As coisas vão mudar para Sócrates. O poder absoluto dissipou-se e agora terá que coligar-se, uma palavra dolorosa na habitual personalidade de Sócrates. O PS ganhou e tinha que ganhar mas não com a maioria absoluta.


(2) Voto de confiança

O PS venceu novamente, após uma governação de maioria absoluta, uma crise mundial e uma oposição feroz por parte da Esquerda e da Direita. Apesar de não ter vencido com maioria absoluta, o PS saiu vencedor, assim como Sócrates. Demonstrou que a população vê no Partido Socialista um futuro para Portugal, um rumo, uma ideologia, o que não aconteceu com o PSD que preferia criticar o Governo sem dar, no entanto, nenhuma solução ou ideia para o melhoramento da condição do país. Os portugueses querem coisas concretas, querem uma explicação concreta e não o diálogo vago e erudito dos sociais democratas.

Quem também saiu vencedor foi Paulo Portas com 591.938 votos dos portugueses. As suas ideias sobre a segurança e educação agradaram aos portugueses, pois também estas foram concretas e concisas. Portas mostrou que pode existir autoridade nas escolas e nas ruas sem que para isso entremos num regime opressivo e os portugueses deram-lhe o mérito. Não sou de Direita, mas sou a favor das coligações entre partidos, dando ênfase à área em que cada um incide com mais avidez. O PP mostrou esta preocupação forte ao nível da Educação e Segurança e com isso conseguiu 21 deputados!

O Bloco de Esquerda, conjuntamente com o PSD, saiu derrotado também. Ao longo de toda a campanha e de toda a governação mostrou uma posição extremamente ofensiva que levava a crer que preferia um partido de Direita no poder ao PS. Francisco Louçã tem uma cisma com o Partido Socialista e vai continuar a ter por mais 4 anos. De certo modo, esta cisma levou-o para quarta força política, ficando atrás do Partido Popular e mostrando uma atitude extremamente arrogante – leva-me a crer que preferia que a Dra. Manuela Ferreira Leite estivesse agora no poder... Uma atitude triste quando os problemas do país precisam de uma Esquerda forte e unida.

Agora vamos esperar para ver o que acontece nos próximos 4 anos, com a crise a amainar e com uma política de continuidade.

[1] In http://www.legislativas2009.mj.pt/

segunda-feira, setembro 21, 2009

Parabéns pressB

Por Paulo Duarte

O pressB faz 1 ano neste mês de Setembro. Durante este ano abordei vários temas sobre Indústrias Culturais e sobre política. A meio do ano convidei a Inês Ramalhete para falar sobretudo das suas experiências pessoais.

O tema mais abordado foi os videojogos. Emergência, mediatismo e hegemonia foram algumas das palavras mais utilizadas, que, por si só, também definem a ideologia, isto é, o sangue dos artigos que constituem o blogue.

Foi o ano em que me licenciei em Audiovisual e Multimédia, consegui trabalho no ramo dos videojogos, na Biodroid Entretainment, e entrei no Mestrado de Engenharia Informática, vertente Multimédia, no ISCTE.

Como o blogue reflecte principalmente as minhas dúvidas diárias, sei que os futuros artigos vão continuar a estar relacionados com os conteúdos interactivos e igualmente relacionados com a política, um tema no qual me tenho debruçado mais. Os meus desejos são simples: receber mais comentários e fazer do pressB não só um espaço de abordagem como um espaço de debate.

Agradeço a todos os que acompanham o pressB.

terça-feira, setembro 15, 2009

O verdadeiro Serviço Público

Ao serviço da Política
Por Paulo Duarte

Ontem a RTP deu oportunidade aos partidos minoritários de se expressarem e darem a conhecer as suas propostas políticas num debate, revelando, com isto, uma séria responsabilidade social e dando uso correcto ao seu título de serviço público.

No seu conteúdo, os representantes destes partidos falaram principalmente da segurança nacional, da justiça e sobretudo do nacionalismo e valores familiares. Supreendeu-me o facto de todos eles terem apresentado propostas concretas perante as problemáticas actuais que comentavam. A questão da emigração foi a que causou mais extremismo, nomeadamente por parte do PNR, sendo para este partido (e no geral para a extrema direita) a causa maior do mau estar e da insegurança nacional.

Em relação à Segurança Social, concretamente os subsídios, foi também um lugar comum muito debatido. Fiquei de acordo com a reformulação do subsídio de desemprego, de ser unicamente concedido em casos muito específicos e periodicamente. Muitas vezes o trabalho oferecido não é aceite por estes que vivem com subsídio mínimo.

Este debate público, dos partidos marginais, gera novos pensamentos sobre a problemática da hegemonia política e desenvolve mais sentido social nos portugueses. Talvez seja uma forma de renovação da classe política, que é uma emergente necessidade no ambiente social português.

quarta-feira, julho 22, 2009

A-B-A-C-A-B-B

Por Paulo Duarte

Este era o código que dava acesso a todos os níveis do Sonic para a Mega Drive (genesis nos EUA). Ainda hoje me recordo e sou capaz de fazer o gesto automaticamente.

Nesta altura os códigos, para além de serem uma forma de gravação do jogo, eram um culto. Saber o código e pô-lo em prática era uma arte. As bíblias de truques e dicas foram os livros mais valiosos de qualquer viciado. E os poucos que tinham acesso à internet, faziam inveja mostrando imagens e revelando informações recentes.

Era a altura do Dragon Ball, das aventuras da Lara Croft e da internet a 50Kbs por segundo.



"We make Games That we want to play" Valve

Os videojogos eram desenvolvidos com paixão e a pensar principalmente na diversão. Actualmente a indústria cresceu e os jogadores também. Contudo a paixão dos criadores desvaneceu-se na necessidade de lucrar. A maioria dos jogos são descartáveis, não criam nenhum apego no utilizador. Os custos envolvidos no desenvolvimento de um videojogo são de tal forma abismais que será muito difícil para uma pequena empresa conquistar um lugar. Talvez surjam novos conceitos nos novos meios, como a web (webgames), que revolucionem e tragam de novo a old passion.

Todavia, este é o pensamento que teimo em ter. Porque a verdade é que a magia é sempre maior quanto mais jovens somos. Todos os jogadores da minha geração cresceram a jogar videojogos. É-nos tão habitual que somos nós os melhores críticos dos mesmos. Crescemos, tornamo-nos maduros, e os criadores, a pensar nisto, também mudaram os videojogos.

Os videojogos sempre fizeram parte do meu dia-a-dia. Recordo os jogos antigos com prazer e com um certo saudosismo. Hoje troco os códigos pelo vício dos jogos online. Agora o que conta é ser o melhor entre os melhores, porém, para isto, é necessário videojogos que divirtam
e sejam feitos por quem, no final, também os queira jogar.